domingo, 10 de abril de 2011

Agricultores apostam no cultivo do abacate como alternativa

Pelo menos 15 produtores da cidade participam de projeto com a UFRGS

Venâncio Aires tem o tabaco como a sua maior cultura e fonte de renda, porém, alguns agricultores começam a investir na diversificação, como o cultivo de abacate. No município, a fruta pode ser uma alternativa e o projeto envolve uma agroindústria e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Conforme o técnico Gerson Antoni, da Secretaria de Agricultura de Venâncio Aires, pelo menos 15 produtores do município participam do projeto com a UFRGS. A Prefeitura entrou com o transporte das mudas e distribuição. “É um projeto que vem ao encontro da diversificação, que todos estão esperando e precisam por causa do tabaco”, acredita Antoni.
Expectativa

A primeira safra é aguardada com expectativa pela família Wogel, de Linha Sexto Regimento, em Venâncio Aires. A maior parte dos 16 hectares da propriedade sempre foi dedicada ao cultivo do fumo. Agora, os 200 pés de abacate podem começar a mudar esta realidade. “Se o fumo não der mais, temos alguma coisa em andamento para a comercialização”, explica o produtor rural Astor Wogel.

Óleo

Os abacates vão ter mercado garantido na agroindústria de Larri Kist, que produz óleos essenciais. Depois de 11 anos de pesquisa, ele vende toda a produção para lojas de produtos naturais, espalhadas pelo Brasil. “O abacate é uma fruta muito rica. Com o processamento do óleo nós concentramos esses micronutrientes. Por exemplo, nós temos a vitamina E, que se encontra em 34% das necessidades diárias, dentro do óleo de abacate”, explica Larri.

A fruta também é usada para o tratamento de diversas doenças, como a psoríase. A capacidade de produção da agroindústria é de 250 litros por ano, mas pode duplicar quando a matéria-prima dos pomares de Venâncio Aires se tornar mais abundante.

O projeto

As mudas de abacate são enxertadas na Estação Experimental Agronômica da UFRGS e os pesquisadores pretendem aplicar ciência e tecnologia para garantir a estabilidade na produção. “É uma planta relativamente rústica e de menor porte, boa de trabalhar”, afirma Sérgio Schwarz, professor da UFRGS.

A universidade trabalha com quatro variedades principais. Três são destinadas ao consumo, e uma é específica para extração do óleo do abacate. A ideia é que as mudas se adaptem ao clima e ao solo local e que possam garantir uma produção regular.

“Ela começa a produzir já a partir do segundo ano. Então, por produzir mais cedo, a planta não consegue crescer tanto. Não passa de três metros de altura ao longo da vida. Facilita muito, não há nem a necessidade de subir na escada para colher”, diz Paulo Vitor Dutra de Souza, também professor da universidade.

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